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terça-feira, 9 de março de 2010

Erre

Nascer é uma agressão.
Não basta.
É preciso ir contra e além:
fazer os canivetes da chuva
furarem os olhos do sol.
Saquear as torres de marfim,
tornar o sagrado souvenir
e colecionar risadas.
É preciso ser da tempestade,
braços abertos desprotegendo
o rosto, o corpo, o beijo.
Faça!
Mate o conforto!
E fuja irresponsável e inconseqüente
pelos sigilos da noite.
Fuja da burocracia, da rotina, da rima.
Erre a mão na receita da felicidade
e desande o bolo.
Adicione ódio ao bem querer,
inverta a direção do olhar,
ignore qualquer conselho, inclusive este.
Não sirva de exemplo, de modelo ou padrão.
Desrespeite a regra e insulte seu autor.
Não poupe, não se preserve.
Descarrile seu próprio trem,
é impreciso perseguir a eterna distância
até a linha do horizonte.
E lembre-se:
só quem se despede,
permanece.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Amor de agora

grafite no Dragão do Mar, Fortaleza-CE. Foto: Leandro Wirz






Aceite o que posso lhe dar:
elixir e veneno,
amor intenso,
febre de momento,
amor sem souvenir
a não ser o que couber
no seu coração pequeno.
Amor sem arrependimento
sem nada a redimir
sem hora de chegar ou partir.
Amor de presente, inteiro,
amor presente
amor de bicho
sem noção da finitude.
Amor puro,
completude.