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quinta-feira, 9 de junho de 2011

Matutino

Um gole e quero ficar
assistindo aos absurdos
que a fumaça do cigarro faz
livre, livre, solta no ar.
Sinto que agora tenho mais calma,
experimento a paz pela primeira vez.
Tenho a sensação de que acabei de sair do banho,
tenho os cabelos mais curtos,
visto uma larga camisa branca
e minha voz soa clara
sem tantos nós.
Vejo a vida com olhos de manhã.
Estou livre, livre, solto no ar
para ser belo,
ser o que quero
e desenhar absurdos que me façam feliz.
Tenho a mim mesmo,
não estou só.

terça-feira, 16 de março de 2010

Banho sujo

Tomo banho na espuma
do seu ódio,
algema que te prende a mim.
O amor é uma escolha diária – e
várias renúncias –
mas o ódio, não.
O ódio é uma gosma,
uma teia, uma cola,
areia movediça.
Veneno que se toma
na tentativa de matar o outro.
Você foi ingênua ao
esperar justiça.
Eu sou um mentiroso.

Eu quero seu nojo
e o seu desejo –
aquele bem no fundo do olho,
onde o honesto vence
o contraditório.
Eu quero a ira e o suspiro,
o seu gozo.
O que quer que seja
que não seja morno.
Eu poderia falar de flores
e manhãs de sol
e sorrisos brancos.
Mas o amor me cansa.
Prefiro esta espuma das ondas
que estouram fortes
e salgam meus olhos,
minha boca, meu corpo.
Eu gosto do sabor
desta real e divina imperfeição.