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segunda-feira, 15 de julho de 2013

Suaves prestações

Eu cometeria suicídio
uma vez por dia,
cada vez que dissesse a verdade.
Covarde que sou, escolhi a morte
parcelada
em cigarros e mentiras
e em viver sem poesia.

O anjo pousado sobre meu ombro direito
me sopra que é melhor assim, buscar
a poesia é a maior das ilusões.
Ela é sempre fugidia.
A vida é mais reta - ele diz.
Mas o demônio no ombro esquerdo insiste...

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Matutino

Um gole e quero ficar
assistindo aos absurdos
que a fumaça do cigarro faz
livre, livre, solta no ar.
Sinto que agora tenho mais calma,
experimento a paz pela primeira vez.
Tenho a sensação de que acabei de sair do banho,
tenho os cabelos mais curtos,
visto uma larga camisa branca
e minha voz soa clara
sem tantos nós.
Vejo a vida com olhos de manhã.
Estou livre, livre, solto no ar
para ser belo,
ser o que quero
e desenhar absurdos que me façam feliz.
Tenho a mim mesmo,
não estou só.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Para as noites de chuva

Procurei de madrugada na livraria
companhia para a chuva
que do lado de fora parecia
chiado de agulha sobre álbum de vinil.
Comprei muitos livros pelas orelhas persuasivas
e jamais li os volumes.
Sou fácil de ser seduzido,
basta um sorriso, promessa de felicidade
efêmera que minha imaginação fértil
delira ser eterna.
Com ouvidos e olhos sobre os discos,
exausto e confuso, desisti de acompanhar
tantos lançamentos.
Restam o café e o cigarro
preenchendo as horas:
coisas simples.
Gente eu não agüento mais.