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sábado, 14 de janeiro de 2012

Tudo que tenho feito




Seria mentira se
eu dissesse que não gosto
de despedidas.
A única que doeu de verdade
foi minha própria partida,
o dia em que eu calei,
mas sabia que me dizia
adeus.
Nunca mais fui eu.


A gente não foge de pessoas,
não evita situações,
a gente só foge de si,
como se esse encontro não fosse inevitável.
E agora que passei da metade da vida
não posso mais ser tão distante de mim.
Há tantos anos repito
a mesma ciranda insana,
o mesmo circo, o velho carrossel.

Eu nunca cresci ou construí
e agora estou tão cheio de nada.
Ainda que eu não consiga mais me enganar,
ouço forte o chamado da estrada.
Seria mentira se
eu dissesse que não gosto
de despedidas.
É tudo que tenho feito na vida.
Nunca me vi nos olhos de ninguém.

sábado, 16 de janeiro de 2010

O dia perfeito

Você me aprisiona no eterno presente
da publicidade ou de um calendário estático.
O mesmo dia perfeito
se repete indefinidamente
e repele o futuro que nos pertenceria.
Vivemos da memória do hoje,
da hipótese da manhã que não chega.
Giramos num círculo de dois, giramos,
ciranda que não se move,
carrossel de vontades renovadas e irrealizadas.
Nuvem negra que o vento não sopra,
e nem deságua forte sobre nós.
Não brotam flores.
Você me mantém vivo, em suspensão
na exaustiva repetição do prazer no mesmo
dia perfeito, e da mesma
dor por um futuro rarefeito.





trilha sonora sugerida: "Perfect day", Lou Reed.