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sábado, 14 de janeiro de 2012

Tudo que tenho feito




Seria mentira se
eu dissesse que não gosto
de despedidas.
A única que doeu de verdade
foi minha própria partida,
o dia em que eu calei,
mas sabia que me dizia
adeus.
Nunca mais fui eu.


A gente não foge de pessoas,
não evita situações,
a gente só foge de si,
como se esse encontro não fosse inevitável.
E agora que passei da metade da vida
não posso mais ser tão distante de mim.
Há tantos anos repito
a mesma ciranda insana,
o mesmo circo, o velho carrossel.

Eu nunca cresci ou construí
e agora estou tão cheio de nada.
Ainda que eu não consiga mais me enganar,
ouço forte o chamado da estrada.
Seria mentira se
eu dissesse que não gosto
de despedidas.
É tudo que tenho feito na vida.
Nunca me vi nos olhos de ninguém.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Lâmina do adeus

A lâmina do adeus
é a última página
da nossa história.
Faz pequeno
talho ardido
na ponta do dedo.
Você pode viver com a dádiva
das lembranças?
Você suporta o peso das lembranças?
Não temos mais o futuro.
Seremos apenas
o que poderíamos ter sido –
verbos conjugados no subjuntivo.

domingo, 7 de setembro de 2008

Versos sobre


São versos sobre trocas de pele,
sobre trocas de alma,
versos de pânico, primeiro,
e depois da calma
de quem perde o medo
do lado escuro da vida
e é inteiro e sem segredos
como cabeça sem cabelo
ou beijo de língua de olhos fechados.

Eu fiz amizade com a tristeza,
os amores que perdi -
e sobretudo os que tive -
me ensinaram a não sonhar.
A intimidade
me permite chamar a melancolia
de mel
e a felicidade
de fel.

Meu rosto pálido
é invariavelmente sereno
diante de qualquer absurda calamidade
e meu coração, mesmo pequeno,
é tão forte que não chora
por alegria ou saudade.
E meus versos são, enfim,
sobre descobertas, nasceres, encontros
e as vezes todas que me despedi de mim.