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sábado, 30 de julho de 2011

O vento da madrugada

O assovio me convidava a não dormir
às cinco horas da manhã, o vento varria o céu
e punha as árvores para dançar.
Fiquei na varanda na esperança
que ele me arrancasse a pele
e fizesse de mim lençol branco
pra encontrar teu corpo.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Cada página

Comprei dois
exemplares do mesmo livro
para à noite lermos juntos,
embora cada qual na varanda possível
da sua casa, separados
por toda uma cidade cheia
de morros, ruas, carros e luzes.

Imagino você lendo a página quinze,
o poema poderia ser sobre nós.
Mas não é.
Nem nós sabemos
o que somos.
Sim, um verso nos une,
um verbo, uma carne.
Uma página nos une.
Se não estamos na primeira página,
tudo bem, eu não acredito
que um dia chegaremos a nossa última.