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sábado, 1 de junho de 2013

Alvura

Lavo a dor da vida
na pedra áspera da poesia.
Esfrego bem, com mãos firmes,
dispenso amaciantes e canduras.
Enxáguo esticando os braços
sob o véu da cachoeira
e deixo secar ao sol na margem do rio.
Visto sem passar a camisa branca
e a calça pouco mais desbotada
e me dou conta que não era
nos bolsos que eu guardava
o meu pesar.
Trabalho em vão.
Nem roupa, nem alma
sangram.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Longe

Meu livro retirado da estante
pesa como tijolo.
Não presta para erguer paredes,
atire-o contra a vidraça.
Caminhe sobre os cacos
e conhecerá meus passos.
Há sol, mas quero chuva de granizo
para lavar meu corpo.
É tão longe pra onde vou.
O que sou o tempo apaga –
até mesmo a lixa áspera
um dia afaga.
Eu serei outro. Eu serei algodão.