Mostrando postagens com marcador espelho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador espelho. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Dogma


Aprenda
a minimizar suas vontades
reduza
seu tudo
ao essencial,
ao que couber
numa única mochila.
Desconsidere fronteiras,
e ganhe o mundo.
Deixe rastros –
despretensiosos como pegadas na areia –
nunca restos.
Descarte
a saudade e o arrependimento,
completamente inúteis
como a arte.
Sê todo, como escreveu o poeta,
e não parte.
Parta
e volte sempre
nu ante o espelho,
nu como te vejo.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Fraturas


Meu corpo chegou na frente.
Fraturada entre supostos amores
que nunca existiram ou sempre serão,
a alma vem andando com toda calma
olhando cada reflexo seu
no espelho partido
analisando cada incoerência,
cada imprudência,
todas as filigranas dos erros.
E meu corpo aqui esperando
querendo tão somente beijos,
adorações incondicionais
como amores maternos.
A puta é a mãe com quem a gente pode.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Os mesmos olhos

o que sou não
tenho sido.
este que estou sendo
é o que não está
no reflexo do espelho.
este que não está se vendo
permaneceria
invisível ainda que tingisse
o corpo de vermelho vivo.




sobre meus olhos ela diz
que são os mesmos há vinte anos
e eles nada dizem.
ocultam.
são tão somente águas
turvas de raso escuro rio.
quebrei o espelho da alma.
sou bom nisso:
dissimular.
sou
solidão e superfície.

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Agora que a verdade vem

Chega a doer
este poema no corpo.
Um soco
que desnorteia
e me põe sentado
à beira da cama.
Encontrar meu rosto
no espelho dos teus versos
tira meu ar,
arranca meu chão.
O clarão da luz tão forte
por um instante cega.
Mas tudo bem.
Agora que a verdade vem
eu sei para onde eu vou.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Poema do espelho

Fico horas em frente a você.
Não, não sou um narciso.
Permaneço sem desviar o olhar
só porque estou um pouco indeciso.

Talvez eu te ame por me refletir
ou te odeie da mesma forma
por me mostrar, me exibir
sem censura ou máscaras.

Até que com um soco te faço mil
e tu me fazes um corte e sete anos de azar.
Busco, reviro, cato entre os cacos.
Talvez me ache em algum lugar.