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terça-feira, 11 de maio de 2010

O baile de máscaras

Poetas são carcereiros
com gordos molhos de chaves
atados à cintura.
Trancafiam em celas escuras
vulcões que cuspiriam palavras ferventes.
Mas elas saem em desfile calculado,
vestindo máscaras de ferro,
pesadas na balança de precisão,
eleitas pela acurácia dos ourives
na aferição dos quilates
ou pelos ouvidos treinados dos afinadores de piano.
Nada dos trinados anárquicos
dos pássaros pela manhã
ou dos vidros trincados pelas pedras da solidão.
Nestas masmorras sujas
de nobres e vis desejos,
quase tudo dói.
Mas os poetas em atávico desamparo
fingem blasés que apenas espremem espinhas
e tiram cravos do coração.
Onde estão meus rios de lava?

terça-feira, 24 de março de 2009

Eu sou nada

O frio me corta
no sentido sul.
Produzo fogo
em um ponto remoto.
Apenas o suficiente.
Nada sob a pele
que atinja o coração.
Nas veias corre lava,
mas quem encara meus olhos
não vê sinal de alma.
Desapareço dos espelhos,
não sou visto em retratos
nem no véu da noite.
O sol retalha a manhã.
Nada de sombras,
parto sem deixar pistas
e não pretendo voltar.
Você já terá me esquecido
após o café.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

O baile de máscaras

Foto: Leandro Wirz



Poetas são carcereiros
com gordos molhos de chaves
atados à cintura.
Trancafiam em celas escuras
vulcões que cuspiriam palavras ferventes.
Mas elas saem em desfile calculado,
vestindo máscaras de ferro,
pesadas na balança de precisão,
eleitas pela acurácia dos ourives
na aferição dos quilates
ou pelos ouvidos treinados dos afinadores de piano.
Nada dos trinados anárquicos
dos pássaros pela manhã
ou dos vidros trincados pelas pedras da solidão.
Nestas masmorras sujas
de nobres e vis desejos,
quase tudo dói.
Mas os poetas em atávico desamparo
fingem que apenas espremem espinhas
e tiram cravos do coração.

Onde estão meus rios de lava?