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sexta-feira, 27 de março de 2015

esse conforto

pr’essa melancolia latente sempre
encontro conforto na livraria
da travessa na hora
do almoço ou quando escurece.

esse conforto logo transtorna-me:
ansiedade, angústia, aflição
para dar conta de ler tantos volumes
que se acotovelam na minha estante.

esse conforto logo vira uma ponta
aguda de inveja, como se houvesse do tipo
benigno, por não ter sido eu a escrever
aquilo que me veste em justa medida

esse conforto logo transforma-se
em consciência da pequenez e da absoluta
inutilidade do que escrevo
e que me deixa vulnerável  como

quem, pessoa ou planta ou livro, abre-se.
não estou morto.
n’algum ponto ermo
sei que não sou todo erros.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Carpe Diem

Minha poesia não vai mudar a minha vida.
Não vai mudar a sua vida,
não vai mudar a vida de ninguém.
Nem revolucionar a literatura
nem ser inovadora
a ponto de ser estudada
nas escolas daqui a décadas.



Minha poesia pode ser a sua história
ou o seu segredo,
pode ser o que você escreveria,
pode ser que tenha sido escrita pra você.
É o mais longe aonde pretendo chegar
e, acredite, é muito distante.


Minha poesia apenas me ajuda a viver
entre goles, fumaças,
poças de melancolia
e espasmos de ironia.
Minha poesia é rock.
E o rock ‘n’roll nunca foi mesmo sobre o futuro.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Tom

Então ela me dedicou uma canção
no mesmo tom
de melancolia bela
no fundo dos olhos.

Estamos juntos
em nosso segredo
cuidado entre lábios
e mãos delicadas.


Forte e diferente
da vida à luz do dia,
é um certo tipo de amor,
e o amor nunca erra.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

A tristeza é uma gata

Estou certa que esta tristeza
não me pertence.
Ou não deveria.
Não hoje, apesar da chuva fria
quase estragar a sexta.
Mas deve ser a lua, ou o dia,
e eu faço carinho
na melancolia
como se fosse na cabeça de uma gata
manhosa e independente
deitada no meu colo no sofá.
A fumaça do cigarro dança
ao som da velha música e tudo
me lembra o que não vivi.