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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Ela

Ela é todas as folhas avermelhadas do outono.
Perfeita demais para o sonho
que venho tendo a vida inteira.
O mundo ficou bonito
na vitrine dos seus olhos de gata.
Tudo se tornou possível quando a abracei
e me senti em casa.
Ela mudou para sempre o que sou
e o que serei:
livre de mim mesmo,
fiz-me dela.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Indo

Use o gerúndio para me abandonar.
Não suportaria único e súbito golpe.
Faça cortes lentos e mornos
e avance em passos estudados
como se me seduzisse
ao avesso.

Acenda minha solidão à luz de velas.
Encha minhas taças não mais até a boca.
Elas ainda estarão meio cheias
e eu vou sorrir ilusões perdidas.
Deixe a distância pegar intimidade
até deitar-se em nosso sofá
e fumar em nossa cama.

Eu vou me acostumar a sentir
que seu corpo não é mais meu.
Por mais que eu mova mundos,
teus olhos não me querem mais.
Faça ser outono.
Eu preciso de tempo para entender
que suas razões estão acima da razão,
do bem e do mal.

Seja o que sempre foi até o fim:
feche a porta suavemente ao sair.
Um dia, vou abrir as cortinas da sala,
deixar o sol entrar como se marcasse o reinício.
E direi: eu estou bem, eu vou indo.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Graveto

Foto: Leandro Wirz

Sou qualquer graveto,
miúdo pedaço de galho partido,
perdido de árvore seca.
Estou aos montes espalhado
pelo passeio público,
pelos atalhos do outono
estalando sob passos apressados
dos pisantes distraídos
e distantes.
O fogo é o único amigo do diabo.
E também o meu.
Me permite derradeiro e digno suspiro
no crepitar em noite de lua.
E viro fumaça no ar
ainda ouvindo sua voz se afastar
entre acordes tristes.

domingo, 5 de abril de 2009

Ela

Grafite de Marcella França. Foto: Leandro Wirz




Ela é todas as folhas avermelhadas do outono.
Perfeita demais para o sonho
que venho tendo a vida inteira.
O mundo ficou bonito
na vitrina dos seus olhos de gata.
Tudo se tornou possível quando a abracei
e me senti em casa.
Ela mudou para sempre o que sou
e o que serei:
livre de mim mesmo,
fiz-me dela.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Indo

Use o gerúndio para me abandonar.
Não suportaria único e súbito golpe.
Faça cortes lentos e mornos
e avance em passos estudados
como se me seduzisse
ao avesso.

Acenda minha solidão à luz de velas.
Encha minhas taças não mais até a boca.
Elas ainda estarão meio cheias
e eu vou sorrir ilusões perdidas.
Deixe a distância pegar intimidade
até deitar-se em nosso sofá
e fumar em nossa cama.

Eu vou me acostumar a sentir
que seu corpo não é mais meu.
Por mais que eu mova mundos,
teus olhos não me querem mais.
Faça ser outono.
Eu preciso de tempo para entender
que suas razões estão acima da razão,
do bem e do mal.


Seja o que sempre foi até o fim:
feche a porta suavemente ao sair.
Um dia, vou abrir as cortinas da sala,
deixar o sol entrar como se marcasse o reinício.
E direi: eu estou bem, eu vou indo.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Camada

No outono das horas,
as palavras vêm
forrar o chão do corpo.
E este corpo ganha tuas mãos cálidas
e as cores aquecidas dos teus gestos
brotando árvores densas com galhos longos
no espaço em branco.
E como a água mansa corre
suave e contorna a pedra
você cobre viva os dias.
Vem diante dos meus olhos
em sorrisos e sóis
ser a camada sobre a pele
e a pele sobre o mais íntimo.